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Archive for the ‘São José dos Campos’ Category

Comer, beber e viver em São José dos Campos: Restaurante Yamabuki

Acho que já comentamos, por aqui, que moramos alguns anos em São José dos Campos. Uma das nossas dificuldades era encontrar um bom restaurante japonês. Provamos quase todos. Até então, só gostávamos dos restaurantes do bairro da Liberdade, em São Paulo. Tanto pela qualidade como pelo custo.

No entanto, depois de algumas recomendações, fomos ao Yamabuki. E que grata surpresa!

Esse é um restaurante peculiar. A começar pelo horário de funcionamento: de 3a a 6a, eles abrem somente no jantar, de 18 às 22hs (se chegar às 21h30 eles não deixam entrar, pois não dará tempo de sair até 22hs! Falo por experiência própria!). Sábado e domingo abrem apenas das 12 às 14hs no almoço e das 18 às 22 horas no jantar. Porém, na 4a semana do mês, eles fecham no domingo e abrem na 2a seguinte.

E por que esses horários pitorescos?

O restaurante foi fundado pelo sr. Koyama, que chegou ao Brasil há cerca de 35 anos para trabalhar na Panasonic, mas que tinha a culinária como hobby. Após se aposentar, resolveu abrir um restaurante. Nesse local, ele cozinha por prazer e para fazer nossos estômagos felizes. A ideia não era ficar estressado, servindo os clientes de domingo a domingo, 12 ou 14 horas por dia.

Esses horários restritos se devem a isso e para poder trabalhar com uma equipe reduzida e custos adequados ao porte do restaurante, respeitando as folgas estabelecidas pelas leis trabalhistas. Além disso, ele mesmo cozinha os pratos que são servidos.

Nos dois andares do pequeno restaurante, pode-se acomodar cerca de 30 pessoas. É um local pequeno e simples. Algumas pessoas comem no balcão e desfrutam de um bate papo com o Sr. Koyama, quando a cozinha dá uma folga.

Há também duas unidades em shoppings da cidade. Porém, dentro de um shopping, a qualidade não poderia ser a mesma, claro! Se querem provar o melhor restaurante japonês de São José dos Campos, minha recomendação é ir à unidade da Praça São Dimas.

Nas nossas idas ao Yamabuki, provamos diversos pratos, mas não temos fotos de todos. Muitas vezes, comemos os rolinhos primavera como entrada:

Rolinhos Primavera

São excelentes. Crocantes, saborosos, chegam bem quentes à mesa (cuidado para não queimar a boca!).

Outro destaque é o espetinho de língua de boi. Algumas pessoas ficam impressionadas e confesso que tinha um certo receio antes de experimentar. Mas não é que esse negócio é bom? Depois de provar, comemos em quase todas as nossas idas.

Espetinho de língua de boi

O gosto é de uma carne um pouco gordurosa, um misto de carne de vaca com carne de porco, mas um pouco mais consistente. Dica: esqueçam o nome, não visualizem as partes do boi, e provem!

Como não poderia deixar de ser, muitas vezes escolhemos o combinado de sushi e sashimi.

Combinado de sushi e sashimi

Talvez esses sejam os pratos mais difíceis de preparar, na culinária japonesa. Contudo, o Sr. Koyama os prepara com maestria. Os peixes são bem escolhidos, somente as partes corretas são utilizadas para fazer o sashimi e o sushi (o grande erro da maioria dos restaurantes é querer usar todo o peixe, por uma questão de custos) e os cortes são precisos, nem muito grosso, nem muito fino. O arroz também é de boa qualidade e bem temperado, sem exagerar no vinagre ou no açúcar, outro erro comum em restaurantes japoneses.

Aliás, essa era a minha grande crítica aos restaurantes de São José dos Campos: nenhum deles prepara um bom sushi e sashimi. Segundo o chef Carlos Watanabe, do Sushi Kiyo, são necessários 10 anos de experiência para poder se tornar um sushiman. Com a proliferação dos restaurantes japoneses (hoje, há mais que pizzarias) e a competição por preços, os auxiliares foram alçados à posição muito antes de estarem preparados para a função, com um ou dois anos de experiência.

Um indicador da qualidade do restaurante é o cheiro: se você entrar e sentir cheiro de peixaria, é melhor procurar outro lugar.

Outro dos nossos preferidos é a gelatina de café com licor de ameixa e leite condensado:

Gelatina de café com leite condensado

Mais uma razão para ir à unidade da praça São Dimas: essa sobremesa não está disponível nas outras unidades. Aliás, não é muito fácil de encontrar mesmo em restaurantes paulistanos. Se você não conhece, prove. É uma experiência diferente para ocidentais. E uma delícia, pelo menos para o meu paladar.

Há ainda outros pratos interessantes que não fotografamos, como o Yakissoba à moda japonesa e o Ague Soba. O primeiro é um yakissoba diferente do que estamos acostumados a comer em restaurantes chineses. É menos oleoso, mais saudável, incrivelmente saboroso, com vegetais ainda crocantes e uma cor bonita. O segundo é preparado com o macarrão frito, ao invés de cozido. Eu sempre gostei mais da primeira opção, mas muitos dos meus amigos preferem o ague soba.

Com relação ao atendimento, não diria que é o forte do restaurante. Às vezes, os garçons são um pouco lentos e esquecem de nós, mas em geral são simpáticos e educados.

Os preços são justos. Pela qualidade dos ingredientes e esmero na preparação, é um bom custo benefício. Um combinado como o da foto sai por cerca de 50 reais. O espetinho de língua uns 4 reais.

Ficou com água na boca? Então, façam uma visita ao Sr. Koyama:

Restaurante Yamabuki

Praça Monsenhor Ascânio Brandão, 14, Jd São Dimas, São José dos Campos

Tel: (012) 3941-3674

Horários: de 3a a 6a das 18 às 22hs. Sábado e domingo das 12 às 14hs e das 18 às 22 horas. Na 4a semana do mês, eles fecham no domingo e abrem na 2a seguinte.

Comer, beber e viver em São José dos Campos – episódio “saudades do Café da Madre”

23/04/2011 1 comentário

Sinto falta do Café da Madre em São José dos Campos, realmente sinto! Um dos poucos lugares da cidade que dá pra ter certeza de que se vai ser muito bem atendido. Mérito da dona, a simpatissíssima Suzi e de suas duas garçonetes atenciosas.

Chegamos ao Café da Madre por sugestão de amigos, e logo adotamos o lugar como nosso cantinho. Lá passamos muitas noites comendo e conversando, comendo e conversando. Quando decidimos mudar para São Paulo, logo corremos para nos despedir do ma-ra-vi-lho-so Bolo Suiço de Chocolate.

Vamos às gordelícias!

Bolo Suíço de Chocolate

Strudel de maçã

Se for de tapas, não deixe de experimentar os nossos favoritos:

Tomates rellenos

Tomate com relleno à mostra

Albóndigas

Linguicinhas de javali com quibebe

Pra beber, lá tem sucos caprichados:

Sucos especiais

Listinha com alguns dos sucos especiais

Café da Madre
Rua Madre Paula de São José, 133
Vila Ema
São José dos Campos
Tel: 12 3945 0558
http://www.cafedamadre.com.br

Al Badah: um dos nossos restaurantes árabes preferidos!

Uma das melhores lembranças de São José dos Campos é o Al Badah, um companheiro naquelas noites de jantar após 10hs da noite (em SJCampos, você não encontra quase nada aberto após este horário).

Durante muitos anos, batemos ponto neste que é um dos meus restaurantes árabes preferidos. Íamos quase diariamente lá.

Em homenagem ao Al Badah, preparamos uma série especial de fotos, com nossos pratos favoritos (vocês verão que são quase todos!!!!).

Primeiramente, devo dizer que o Al Badah possui várias unidades. Uma em cada Shopping da cidade, outra em Caraguatatuba e acho que tem mais algumas. Entretanto, a nossa escolha sempre foi a da Vila Ema, na esquina da Rua Serimbura com a Heitor Vila Lobos.

Nesta unidade, por exemplo, você pode tomar o suco Al Badah, uma mistura de suco de acerola com uva (não tem nas unidades dos shoppings):

Suco Al Badah

Lá, também comemos um dos melhores tabules que já provei. Talvez seja uma questão apenas de gosto. Talvez os libaneses reprovem. Mas o fato é que eu gosto do estilo. É um tabule bastante carregado de salsinha:

Tabule com bastante salsinha

A salada Fatouche também merece destaque:

Salada Fatouche

Também fomos consumidores vorazes de homus, babaganouche, coalhada seca e quibe crú. Você pode pedí-los em porções separadas ou em trios. Nesta foto, um trio:

Coalhada, quibe crú e homus

Cebola picada e molho especial

Acima, o molho que acompanha o quibe crú. Este molho é uma criação Al Badah de uns 3 anos atrás. Nós tivemos a felicidade de participar dos testes antes de fixarem o molho no cardápio regular. Basicamente, é uma mistura de azeite e especiarias como o zátar. Muito bom! Vale provar!

Pão Sírio

Os pães sírios também são feitos na casa e chegam quentinhos e macios à mesa. Um espetáculo!

Dentre as esfihas, gostava muito da aberta de carne com coalhada, de calabresa, de brócolis com catupiry, e fechada de carne.

Esfiha aberta de carne com coalhada

Esfiha fechada de carne

Falafel não é muito a minha praia, mas a Glutinha adorava:

Falafel

O que eu posso dizer é que era bem sequinho, crocante por fora, macio e úmido por dentro.

Já os charutinhos de uva estavam presentes em 90% das vezes que estivemos por lá. Peça para trazerem com um pouco do caldinho e experimentem molhar o pão sírio neste molho e um pouco de azeite! Hummm… tá me dando água na boca só de pensar…

Charutinhos de folha de uva

Outra dica é cortar o charutinho ao meio, colocá-lo em pé e jogar azeite dentro. A propósito, o azeite é Carbonnel. Não se trata de óleo composto.

Uma boa pedida também é a Kafta de Cordeiro, que acompanha um delicioso molho de hortelã e arroz sírio:

Kafta de Cordeiro

Arroz Sírio

Como sobremesa, recomendamos o malabie, que é como se fosse um manjar com calda de ameixa (você também pode pedir a de damasco) e água de rosas. Nós preferíamos a de ameixa:

Malabie

Por fim, outra exclusividade da unidade da Vila Ema: o café com cardamomo. Para falar a verdade, tem no Shopping Vale Sul também, mas lá é sempre muito tumultuado, tem poucas cafeteiras para o movimento do restaurante e nunca conseguimos tomar o café lá.

Além de muito saboroso, o charme deste café está na sua preparação. O garçom traz a cafeteira globinho com água pré-aquecida e com algumas sementes de cardamomo. Em seguida, ele coloca uma lamparina embaixo do globo e acende o fogo.

Preparação do café

Após alguns minutos, a água ferve e ele coloca o recipiente com o pó de café na abertura superior do globo. A pressão faz a água subir pelo tubo e entrar no recipiente com café.

Segundo passo…

Apagado o fogo, a pressão no globo diminui e o café desce novamente, mas passando por uma tela de nylon que retém o pó.

E está pronto!

Café com cardamomo

Este café não tem apenas o charme da preparação, muito pelo contrário, o cardamomo realmente confere um aroma interessantíssimo. Em casa, passei a colocar algumas sementes de cardamomo na minha cafeteira italiana, que possui um processo fisicamente semelhante.

Por fim, dois itens importantíssimos: atendimento e preço.

Vamos combinar que São José dos Campos tem bons restaurantes, mas o atendimento é sofrível. Uma das poucas exceções é o Al Badah. O da Vila Ema, novamente se destaca. Ele possui garçons antiquíssimos, que devem estar lá desde a fundação.

Com relação ao preço, é possível comer bem com 20 reais por pessoa, se tiverem com um apetite moderado. Os mais esfomeados podem pagar uns 30 reais. Ou, no rodízio durante os almoços, poderá pagar 39 reais mais bebidas. Um excelente custo benefício.

Para nós, que tínhamos um ritmo um pouco atípico para a cidade, havia um outro diferencial: o horário de atendimento. O Al Badah abre todos os dias até às 23 horas ou meia-noite em dias mais agitados. Como frequentemente jantávamos após 21h30 e a maioria dos restaurantes fecham às 22hs e segundas-feiras, costumávamos ir muito ao Al Badah.

Nem preciso dizer que está na nossa lista dos imperdíveis, né?

Se quiser provar, seguem as coordenadas:

Al Badah – Vila Ema

Endereço: Rua Serimbura, 15, Vila Ema, São José dos Campos

Telefone: (12) 3923-2454

Site: http://www.albadah.com.br/

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Comer, beber e viver em São José dos Campos – episódio “Tortillas no Chinese House”

Após alguns anos na capital do Vale do Paraíba, chegou a hora de dizer adeus. Então, para o nosso tour gastrônomico de despedida por São José dos Campos, fizemos uma listinha de restaurantes que acalentaram nossas almas famintas por bons pratos em meio a um universo tão restrito de boas possibilidades nestes anos de reclusão joseense (mal saí de lá e já estou impregnada novamente por esse pedantismo paulistano do “aqui é mais legal, aqui é mais legal”. Ou será uma característica minha mesmo?).
Questão existencial e comida chinesa deve dar indigestão, então, atenhamo-nos apenas aos comentários deglutiveis (acordei me achando a glutinha dos trocadilhos!).
Pedimos UM prato só e dividimos em TRÊS pessoas! Não se trata do milagre da multiplicação do yakissoba, não! Os pratos são grandes mesmo e os garçons sempre foram muito transparentes em aconselhar a divisão. Pedimos o prato com o nome mais fofo do cardápio: o Mú-Shú. Pra ser bem ilustrativa, vale dizer que é como uma tortilla mexicana, só que feita de arroz e recheada com moyashi, carne de porco em tirinhas mega finas, cebolas, cenouras e outros leguminhos de sabor e aparência uníssonos.

Tortillas

Ao invés de guacamole e sour cream, tinha farinha de amendoim e uma pimentinha das boas pra complementar o recheio antes de embrulhar tudo na tortilla de arroz e comer como se fosse uma panqueca. Bom, muito bom!

Recheio, pimenta brava e amendoim moído

Preparando o Mú-Shú

Mú-Shú pronto

Lá não tem nenhuma opção de bebida típica, então fomos de refri mesmo. De sobremesa também é fraquinho, só tem frutas carameladas, embora o cardápio iluda um pouco com promessas de doces indisponíveis em todas as vezes que fomos lá.
Como a maioria dos restaurantes em SJC (exceto pizzarias), o Chinese House fecha cedo, por isso, lá pelas 11 da noite recebemos polidamente a conta e três balinhas.
Quanto foi? Cerca de 50 reais com bebidas pra dividir em três! Adoro! A terceira pessoa que nos acompanhou neste e em vários outros bons e maus restaurantes é o nosso amigo de codinome recém batizado de Matsumono. Mix do sobrenome dele e sunomono, uma conservinha japonesa. Hey, Matsumono, é você mesmo! Te esperamos aqui para a próxima incursão do engorda japas!

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