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Archive for Janeiro, 2012

Avaliamos mais um restaurante árabe: Chez Yunes!

Hoje, temos uma novidade: vamos escrever sobre um restaurante carioca, o Chez Yunes.

O Chez Yunes já foi escolhido pela Veja como o melhor restaurante árabe do Rio, entretanto, devo dizer que não fiquei muito satisfeito com o que provei lá. Eles trabalham com rodízio (preço oficial de R$ 29,00/pessoa, durante a semana, porém, estavam com uma promoção no dia que fui e gastei R$ 29 reais com refrigerante e serviço inclusos) ou com pratos à la carte.

O serviço não é o forte do lugar.  As garçonetes espalham as porções na mesa de forma displicente e conforme conseguem servir, não de acordo com a velocidade com que você come.

Quanto aos pratos, o tabule é preparado com bastante salsinha, do jeito que eu gosto (desculpem a foto ruim!):

Tabule

Estava bom, mas o meu preferido ainda é o do Al Badah, de São José dos Campos, SP.

As esfihas são do tipo folhadas e estavam muito duras. Não gostei. Já os kibes, estavam bons, mas nenhum destaque positivo ou negativo.

Kibes e esfihas

A colhada e o pão sírio também não mereceram destaque positivo nem negativo. Estavam bons, mas não excepcionais.

Coalhada seca

Pão sírio

O homus, babaganoush e as berinjelas grelhadas estavam excelentes. Todos tinham um aroma defumado delicioso.

As berinjelas ainda eram grelhadas com alho e óleo e recebiam uma pitada de zátar. Foi o melhor prato que comi lá. Este sim, eu recomendo!

Babaganoush

Homus

Berinjela grelhada ao alho e óleo

Os charutinhos estavam saborosos, porém, salgados demais, principalmente os de uva.

Charutinhos de folha de uva e de repolho

A kafta estava ruim. A consistência parecia de um embutido.

Kafta

Conclusão: fiquei decepcionado com o que deveria ser um dos melhores restaurantes árabes do Rio. Eles possuem pratos excelentes como a berinjela grelhada, as pastas não comprometeram, nem o tabule, mas falham feio na kafta, por exemplo.

O preço é bom, o ambiente é simples e o atendimento deixa a desejar.

Caso queiram nos dar a sua opinião, mandem uma mensagem para o @EstomagoFeliz no Twitter.

Chez Yunes

Avenida das Américas, 3555, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – Shopping Barra Square

Tel: (021) 2431-4101

Horários: domingo a 5a, das 12h à meia-noite; 6a e Sábado, das 12h às 2h.

Categorias:Árabes, Rio de Janeiro

São Paulo Best Week no Dui

A última semana do ano costuma ser pouco movimentada em São Paulo. Para os que moram aqui é um paraíso. O trânsito dá uma boa trégua, os shoppings e cinemas ficam praticamente vazios, não há fila de espera nos restaurantes…

Por outro lado, a queda no movimento também afeta o faturamento do comércio. Por isso, em 2011, a SPTuris criou a São Paulo Best Week, que é uma semana de descontos para tentar aquecer o turismo na semana menos movimentada do ano.

Para nossa sorte, alguns restaurantes decidiram baixar os preços e aproveitamos essa semana para provar alguns deles.

O primeiro foi o Dui, um restaurante bem badalado, comandado pela chef Bel Coelho.

A promoção da semana consistia em dois menus degustação. Para efeitos de comparação, coloquei os preços fora da SPBW entre parêntesis:

Menu 1- R$ 70 na SPBW
Couvert – cortesia (não tomamos nota do valor fora da promoção)
Entrada: Salada vermelha (Fora da promoção: R$ 23,00)
Prato Principal: Arraia em folha de bananeira (Fora da promoção: R$ 45,00)
Sobremesa: Tartare de abacaxi, tapioca brulée e baba de moça (Fora da promoção: R$ 17,00)
Custo total do menu 1, sem couvert, fora da promoção: R$ 85,00

Menu 2 – R$ 80
Couvert – cortesia (não tomamos nota do valor fora da promoção)
Entrada: Ovo em baixa temperatura com brandade de bacalhau (Fora da promoção: R$ 21,00)
Prato principal: Nosso Filé Oswaldo Aranha (Fora da promoção: R$ 49,00)
Sobremesa: Terrine de chocolate, marzipan de amendoim e sorvete de paçoca (Fora da promoção: R$ 23,00)
Custo total do menu 1, sem couvert, fora da promoção: R$ 93,00

Como vocês podem ver, com ou sem promoção, não é um restaurante para qualquer bolso… Mas, vamos às nossas impressões:

Couvert: era composto por pães, queijo de cabra temperado, azeite e flor de sal com especiarias. Dispensamos, pois o conteúdo não despertou o nosso interesse, achamos que deixaríamos sobrar muita coisa e somos radicalmente contra o desperdício.

Salada vermelha: é bem pequena, vem em uma daquelas taças de dry martini que vemos em filmes. Porém, é bem gostosinha. Feita com tomate, beterraba, tamarillo, queijo feta, pera, pinholi e “ar de amora” (uma espuminha que, pelo menos na nossa ida, tinha gosto de melancia).

Salada vermelha

Quanto à outra entrada, ovo em baixa temperatura com brandade de bacalhau, achei meio sem graça. A farofa de milho com paio é gostosinha e até combina com o resto, mas achei um pouco insosso.

Ovo em baixa temperatura com brandade de bacalhau

A arraia em folha de bananeira foi um prato interessante. Primeiro porque eu nunca havia comido arraia e gostei muito da consistência, da carne branquinha, que desfia facilmente com o toque do garfo. Lembra um pouco cação. Porém, devo dizer que estava quase sem tempero nenhum.

Acompanhava um molho de côco e purê de banana da terra com farofa de farinha d´água. Ao provar a arraia com o molho, a primeira lembrança que veio à minha mente foi “moqueca”, devido ao dendê.

Quanto ao purê, diria que estava no ponto, bem honesto. Entretanto, não gosto de coisas muito crocantes e, nisso, a farofa de farinha d´água atrapalhou. Repare também na manchinha amarela no prato: cuidado, gente! É molho de pimenta amarela. Eu adoro, mas para os mais sensíveis, a pimenta é muito forte.

Apesar do bom molho de côco e do purê de banana da terra, o conjunto da obra não foi excepcional. Melhorou um pouco com a adição da flor de sal com ervas, porém, ainda assim deixou um pouco a desejar.

Arraia em folha de bananeira

O Nosso Filé Oswaldo Aranha é outro prato curioso. A Bel Coelho é bisneta do Oswaldo Aranha e criou uma releitura do prato. Essa versão vem com fraldinha alta grelhada, com purê de alho, arroz e batatas chips. A versão original era composta por uma carne grelhada, com chips de alho, farofa, arroz e batata portuguesa.

Novamente, ficamos um pouco decepcionados com o prato, que carecia de tempero.

Um alerta para aqueles que preferem carne bem passada: na minha opinião, a carne estava no ponto correto. Não chegava a ser o mal passado argentino, mas a carne estava suculenta, bem vermelhinha no meio, e levemente sangrenta. Se você prefere carne ao ponto ou bem passada, é bom avisar antes ou sua carne terá de voltar à cozinha.

O arroz parece ser do tipo basmati, com grãos longos e perfumados, e vem “puxado” no molho da carne. Estava razoável.

Nosso filé Oswaldo Aranha

O tartare de abacaxi, tapioca brulée e baba de moça foi o nosso preferido da noite. Além das pétalas de flores, a baba de moça traz notas de manjericão. A combinação ficou excelente!

Tartare de abacaxi, tapioca brulée e baba de moça

A terrine de chocolate com marzipan de amendoim e sorvete de paçoca foram alvos de crítica, por parte da Glutinha, que achou tudo muito doce. Eu gostei. Especialmente do sorvete de paçoca. É uma sobremesa que não surpreende muito, mas eu gostei, sim.

Terrine de chocolate, marzipan de amendoim e sorvete de paçoca

Como vocês podem ver, eles capricham no visual dos pratos.

O atendimento também é muito bom e atencioso. O ambiente é agradável, bonito e confortável.

Entretanto, a comida deixou um pouco a desejar e o Dui não conquistou nossos estômagos. É um bom restaurante, mas pelo preço que cobra, na minha singela opinião, há diversas alternativas melhores em São Paulo.

Caso queiram conferir e nos passar suas impressões:

Dui Restaurante

Alameda Franca, 1590, Jd Paulista, São Paulo

Tel: (011) 2649-7952

Site: http://www.duirestaurante.com.br/

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Al Árabe – um restaurante árabe-mexicano

Uma de nossas manias é provar restaurantes bem simples, ou verdadeiros botecos, na esperança de encontrar uma boa comida escondida sob fachadas que muitas vezes não atraem nossa atenção. É bem verdade que, na maioria das vezes nos decepcionamos, mas não foi este o caso.

E desta forma, conhecemos o Al Árabe: num dia de trânsito em São Paulo, passando pela Artur de Azevedo, em Pinheiros, notei um toldo amarelo, com uma singela placa identificando esse simpático restaurante:

Fachada do Al Árabe

Não sei bem porque eu simpatizei com o local, mas decidi que o visitaria um dia desses.

Além de servir uma comida muito saborosa, os donos são super simpáticos. O Jorge é mexicano e descendente de sírios. Em uma viagem à Síria, conheceu a Hala, uma cozinheira de mão cheia, como diria o meu pai. Eles se apaixonaram, casaram-se e foram morar na Cidade do México, onde abriram um restaurante. Algum tempo mais tarde, decidiram se mudar para São Paulo e criaram o Al Árabe. Sorte a nossa!

Nós já provamos quase todos os pratos de lá. Dentre os quais, destacamos:

Sanduíche de Sujoc

Sujoc é uma linguiça árabe temperada com 21 especiarias, salsinha, cebola e pimenta calabresa. Acompanha homus, tiras de alface e tomate. É um pouco condimentada, mas é um dos meus favoritos.

Uma opção que mescla as origens e ascendências dos proprietários é o Kebab Mexicano, que leva tiras de contra-filé marinados no molho especial da Hala, grelhado na chapa com cebola, pimentão, linguiça defumada, bacon e guacamole. Porém, só está disponível às 3as e 5as.

Kebab Mexicano

Aos sábados e feriados, você pode provar alguns pratos especiais, como o Fatti: pão sírio tostado, cubos de costela e músculo combinados com grão de bico cozido, molho de coalhada, hortelã e alho, coberto com amêndoas, pinholi e nozes salteados na manteiga.

Fatti

A carne é um pouco gordurosa, mas o molho de coalhada é excelente e combina muito bem com os demais ingredientes.

Acompanha  arroz sírio e dá para duas pessoas de apetite mediano.

Arroz sírio

Vale a pena provar os salgados também. Minha preferida é a esfiha de carne, mas há ainda a de verdura, de zátar, quibe…

Esfiha de carne

Kibe

E o que não pode faltar é o molho apimentado do Jorge, cuja receita ele não revela, mas é uma mistura de azeite, pimenta, salsinha e especiarias. Vai muito bem com as esfihas de carne!

Molho apimentado do Jorge

Para beber, nossa sugestão é a limonada Al Árabe, que é uma limonada com água de rosas.

Limonada Al Árabe

Dentre as sobremesas, a mais famosa é o Arroz Doce Al Árabe, preparado com água de rosas e laranjeiras, miski, geléia de damasco, amêndoas, pistache e mel:

Arroz doce Al Árabe

Essa é uma das especialidades da Hala, figurando no cardápio em uma seção intitulada “Só a Hala sabe fazer”. É muito diferente do que estamos acostumados a provar. Particularmente, gosto mais dos pratos salgados, mas provar este doce é uma experiência gastronômica que eu recomendo por ser algo difícil de encontrar em outros lugares.

Por último, provem o café Al Árabe. Os grãos de café são escolhidos pelo Jorge e moídos com algumas especiarias, como o cardamomo. O café é fervido, mas não é filtrado. Após servido, espera-se alguns minutos para o pó decantar e está pronto.

Há diversos outros pratos interessantes, como o prato número 1 (2 kaftas cobertas  com molho de tahine, arroz sírio, tabule e homus) e o prato número 6 (2 porções de sujoc, com arroz sírio, babaganoush e tabule), ambos muito bons.

Com relação ao preço, é um local onde se gasta cerca de R$ 25 a 30 reais por pessoa. Na última vez que fomos, um prato custava cerca de 17 a 25 reais, a limonada R$ 3,50 e o arroz doce R$ 10,00.

O atendimento é ótimo. Tanto o Jorge quanto a Hala são muito simpáticos e atenciosos.

O ambiente é simples, pequeno e com ar condicionado, porém, com o ambiente fechado, o cheiro de comida fica um pouco impregnado na roupa. E você pode ter que esperar uns bons minutos nos horários de pico, durante a semana.

O Al Árabe fica na Rua Artur de Azevedo, 1919, São Paulo.

Obs: o local indicado pelo Google Maps não está muito preciso. Na verdade, o restaurante fica quase na esquina com a Pedroso de Moraes, do lado esquerdo da rua.

Tel: (011) 2533-0474

Horários: de 2a a 6a das 9 às 20hs; sábado das 9 às 18hs.

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O melhor Steak Tartare – Lola Bistrot

Como vocês já devem ter percebido, além de termos uma cabeça de gordo, ainda temos algumas obsessões. Temos uma certa compulsão em encontrar a melhor feijoada de São Paulo; estamos a procura do melhor Tiramissú de nossas vidas; para qualquer lugar que vamos, procuramos o restaurante que vai marcar a nossa viagem; e também procuramos pelo nosso melhor Steak Tartare.

Nessa busca, fomos ao Lola Bistrot, um restaurante bem charmoso, na Vila Madalena. Além da comida, eles dispõem de um Bar à Vin, no qual se pode tomar diversos vinhos em taça, provando diversos rótulos no mesmo dia. Entretanto, não foi desta vez que provamos os vinhos. Mas, não se preocupem: nós voltaremos e postaremos!

Nosso jantar começou com um criativo creme brulé de milho verde com geléia de pimenta dedo de moça. O creme parece um curau salgado. Se você é sensível a pimenta, não se preocupe. Estava bem suave.

Brullé de milho verde com geléia dedo de moça

Depois, partimos para o prato principal. Eu pedi um haddock  defumado om molho de limão, folhas de espinafre no vapor e batata bolinha. Eu, que não sou muito chegado a espinafre, devo admitir que o prato estava excelente, com todos os ingredientes muito harmônicos e com aquele contraste sutil de sabores que eu tanto gosto. Recomendo fortemente que peçam esse prato se forem lá.

Haddock au citron, com espinafre e batata bolinha

A Glutinha, para variar, foi de Steak Tartare, com salada de folhas, torradas, fritas e um charmoso alcaparrão:

Steak tartare clássico

Apesar de ser muito bom, ainda não desbancou nosso favorito, que é o do Le Vin.

Como sobremesa, pedimos o pain perdu de brioche, com creme de morango e chantilly de porto. O Pain Perdu parece uma rabanada de brioche de chocolate, bem macio e molhadinho. O sabor é surpreendente e tudo de bom! É uma daquelas sobremesas imperdíveis que eu diria para vocês colocarem na lista do que fazer em São Paulo.

Pain perdu de brioche, com creme de morango e chantilly de porto

Quanto ao preço, diria que foi mais barato que esperávamos. O menu acima, com dois refrigerantes e serviço incluso saiu por cerca de R$ 130,00.

O atendimento é bastante profissional, sem nada a destacar, seja positiva ou negativamente.

Lola Bistrot

Rua Purpurina, 38, Vila Madalena, São Paulo

Telefone: (11) 3812-3009

Site: http://www.lolabistro.com.br

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